quinta-feira, 18 de março de 2010

O vento

Acordava cedo para ir ao trabalho, tomava banho, escovava os dentes, comia, e corria para não se atrasar.
Passava o dia correndo, para lá e para cá! Não tinha tempo pra se lembrar do que gostava, nem do que sentia.
Quando o trabalho terminava, corria de novo, desta vez para a faculdade, todos os problemas do trabalho eram deletados de sua mente, agora só importavam os problemas da faculdade.
Durante as aulas, se esforçava para aprender tudo, para fazer as atividades e trabalhos durante as aulas. Sabia que não haveria tempo para fazer depois.
Durante o intervalo, começava a se lembrar um pouco de quem era, conversava, ria, discutia com os colegas coisas, da faculdade, de matérias específicas, de futuro, de planos...
Eram quinze minutos em que começava a ser ela mesma, sem problemas do trabalho, sem prazos da faculdade, era somente ela.
Então voltava para a sala, e eram mais algumas horas, em que se deixava um pouco de lado para se preocupar com o aprendizado.
Ao final das aulas, ia para casa, caminhando pela rua até o metrô, pensava sobre o trabalho, sobre a faculdade, sobre a vida de alguns colegas, sobre sentimentos que teve ao longo do dia...começava a voltar a si de fato.
Era um processo longo até completar o ciclo, passava 20 minutos no metrô até chegar no exato lugar em que tudo pareceria fazer sentido, em que tudo ficava no lugar, em que o mundo seria esquecido, em que se sentisse única no mundo.
Passava a catraca , e ao chegar ao corredor de saída... o sentia mexer em seus cabelos, o sentia em seu rosto, como se sentia linda, sentia percorrer suas mãos, seus braços, agora em todo seu corpo, cada poro preenchido e de repende um passo, e tudo parava.
Era como uma passagem, precisava do vento , precisava sentir o ar envolver todo o seu corpo para sentir-se.

2 comentários:

Unknown disse...

Adoro ler seus escritos...queria te seguir, mas usamos o mesmo pc e vc acaba seguindo vc... tendeu??
Amo vc
Mama

Cal disse...

A veia literária em ti é um fato!
A sensibilidade poética está em teu coração. Adoro quando escreve, sou sua fã número um.
Cal