domingo, 5 de dezembro de 2010

Terapia musical

Como boa observadora não pude deixar de notar, aquela bela moça distraída, e entretida com sua música sentada à minha frente no ônibus.

O trânsito típico de uma sexta-feira à tarde, mal humor lançado ao ar junto com a fumaça dos escapamentos de tantos carros.

Algo me chamou a atenção, todas as faces estavam sérias dentro daquele ônibus, exceto uma. Havia algo triste e conformado naquele rosto, ela cantava a música bem baixinho, na verdade estav dublando, pareceia uma balada, pude deduzir devido aos movimentos leves que seu rosto fazia, o tempo em que ficava com a boca aberta, como se estivesse prolongando uma nota. Definitivamente era uma balada, talvez falasse sobre final de relacionamentos, sobre nunca esquecer os sentimentos, mas seguir em frente. Foi o que vi em suas expressões iniciais.

O trânsito continuava lento,e ela continuava desligada de tudo, com os fones no ouvido e dublando sua música. A expressão tornou-se um pouco mais forte, algo como a ter a certeza de que tudo iria ficar bem, como saber que o sentimento ainda está lá, mas a vontade de tentar de novo, e saber que ainda há espaço para novas experiências, e sentimentos mais verdadeiros. Eram expressões de esperança.

O tráfego estava melhor, o ar mal humorado estava até dissipado, ela se levantou, chegou ao seu destino, e na face um ar totalmente mudado, decidido, a velocidade da música em seus lábios era maior, sorrisos saiam junto com a letra dublada, o olhar estava mais confiante.

Aparentemente havia superado tudo, estava pronta para tentar o novo, pronta para sorrir o resto do dia. Acho que li o que sua boca sussurrou, era algo como, “Spread out my wings and fly” me pareceu otimista, livre do passado...

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